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Igreja promete apoio a vítimas de abuso


14/09/2010 - Jornal do Commércio - Internacional

BRUXELAS – A Igreja Católica da Bélgica, abalada por um escândalo de pedofilia sem precedentes, comprometeu-se ontem a dar mais atenção às vítimas, após a publicação de um relatório com mais de uma centena de testemunhos de abuso sexual de menores nos últimos 50 anos, que o papa Bento XVI disse terem lhe causado “dor”.

“Queremos nos comprometer com as vítimas e ajudá-las ao máximo”, declarou o primaz belga, André-Joseph Léonard, admitindo que a crise desatada por esses casos é profunda dentro da Igreja. “Temos que ouvir suas perguntas para restabelecer sua dignidade e ajudá-las a superar a dor que tanto sofreram”, acrescentou. O monsenhor reiterou seu apelo para que os culpados confessem seu pecado, admitindo que os pedidos anteriores neste sentido não foram ouvidos. “Dos erros do passado queremos tirar as lições necessárias”, insistiu.

O relatório da “comissão para o tratamento de queixas de abusos sexuais em uma relação pastoral”, criada pela Igreja, mas dirigida por um psiquiatra independente, Peter Adriaenssen, revelou ter recebido, entre janeiro e junho de 2010, cerca de 500 queixas por parte de vítimas. Adriaenssen também anunciou que 13 pessoas cometeram suicídio.

“Naturalmente o papa sente muita dor”, declarou o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, à emissora de TV belga RTL-TVI. “O documento revela, uma vez mais, o imenso sofrimento das vítimas e dá maior consciência da gravidade desses crimes”, completou Lombardi.

A Igreja belga assegurou ontem que estuda a criação de um centro de reconhecimento, reconciliação e cura. Os detalhes ainda não estão definidos. “Esperamos que esse centro seja aberto até o Natal”, explicou Johan Bonny, bispo da Antuérpia.
A associação Direitos Humanos da Igreja, que reúne vítimas de abusos sexuais cometidos por sacerdotes, declarou-se decepcionada com a falta de independência deste organismo.

“Não pode haver uma comissão de investigação de crimes cometidos em uma instituição que seja controlada por esta mesma instituição”, queixou-se seu porta-voz, Lieve Halsberghe.
Depois dos escândalos que atingiram as Igrejas alemã, irlandesa e americana, entre outras, uma chuva de queixas inundou a Bélgica depois da demissão, em 23 de abril, do bispo de Bruges, Roger Vangheluwe, que admitiu ter abusado sexualmente de seu sobrinho menor de idade entre 1973 e 1986.


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