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Vencedora do Nobel defende lei que pune homossexuais na Libéria


19/03/2012 - Diario de Pernambuco

Ganhadora de um prêmio Nobel, a presidente da Libéria, Ellen Johnson Sirleaf, chocou a comunidade internacional ao defender a lei que condena atos homossexuais no país. A declaração foi feita em uma entrevista conjunta com o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair ao jornal "The Guardian".

"Nós temos certos valores tradicionais em nossa sociedade que gostaríamos de preservar", afirmou Ellen, ao lado de um desconfortável Tony Blair. A legislação da Libéria considera "sodomia voluntária" um delito passível de até um ano de prisão, e dois projetos de lei pretendem aumentar as sentenças envolvendo homossexualismo.

Claramente desconfortável, o ex-premier britânico recusou-se a comentar a declaração da presidente. Questionado se um bom governo e direitos humanos andavam de mãos dadas, Blair apenas afirmou que não responderia.

O ex-premier visita a Libéria como fundador da ONG Africa Governance Initiative (AGI), instituição voltada para o desenvolvimento econômico na África.

"Uma das vantagens do que eu estou fazendo agora é que eu posso escolher em quais questões eu quero ou não me envolver. Entre as nossas prioridades estão poder, estradas e geração de empregos", esquivou-se.

O “Guardian“ lembra que o posicionamento de Blair vai contra a sua atuação durante 10 anos que esteve no poder, quando aprovou leis que beneficiaram gays, como a permissão de homossexuais no Exército ou a diminuição da idade de consentimento entre pessoas do mesmo sexo para 16 anos. Nesta segunda-feira, o Reino Unido anunciou que prisioneiros de segurança máxima poderão celebrar a união civil homossexual dentro de presídios, desde que arquem com as despesas.

A Libéria é um dos 37 países da África no qual a homossexualidade é proibida. Com a tramitação de dois projetos de lei que pretendem ampliar as penas para gays que forem descobertos, a intolerância tem aumentado no país do oeste africano. De acordo com o “Guardian“, pelo menos seis casos de homofobia foram registrados, no mês passado, na capital, Monrovia.

Ellen Sirleaf foi agraciada com um Nobel no ano passado, por seu trabalho na defesa dos direitos das mulheres. Atualmente com 73 anos, Ellen estudou economia em Harvard e foi eleita presidente da Libéria em 2005, após décadas de guerra civil. A chefe de Estado dividiu o prêmio de cerca de 2,5 milhões de reais com outras duas mulheres, Leymah Gbowee e Tawakkul Karman. Na época, a academia sueca disse que as três foram escolhidas "pelo combate não-violento pela segurança das mulheres e pelo direito das mulheres de plena participação em um trabalho de promoção da paz".

Da Agência O Globo



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