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Recife: A pedagogia de Jesus diante dos antigos e novos fariseus


Dr. Frei Antônio Moser

Dr. Frei Antônio Moser
Teólogo



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Como era de se esperar, os lamentáveis episódios ocorridos no Recife, relacionados com o estupro e a gravidez de uma inocente criança, provocaram debates acirrados. As grandes manchetes da imprensa deram suporte para isso, embora nem sempre revelassem a profundidade das questões éticas, jurídicas e políticas que se escondem por trás das polêmicas.


Infelizmente, como costuma acontecer em episódios semelhantes, poucos se dão ao trabalho de ir além das manchetes. Por isso mesmo talvez seja o caso de evocar aqui cenas nas quais Jesus se confronta com grupos maquiavélicos que procuravam alguma razão para condená-lo. E para quem conhece os Evangelhos, logo vem a tipificação do grupo mais expressivo: o dos fariseus. Esses eram mestres em construir armadilhas para provocar e desautorizar Jesus, a quem queriam condenar, como seus antepassados haviam feito com todos os verdadeiros profetas.


As interrogações não brotavam de uma preocupação sincera com o bem estar de alguém, mas do veneno armazenado nos corações desses hipócritas que viviam à espreita de uma oportunidade para ferir mortalmente aquele que, em nome de Deus, os questionava na sua maneira de ser e de pensar (Jo 11). Sepulcros caiados, recorriam a todos os expedientes para esconder sua podridão.


Observância do sábado (Mt 12); tradições (Mt 15); divórcio (Mt 19); pagamento de tributos (Mt 22); cena da prostituta (Jo 6) são alguns episódios duplamente ilustrativos. Em primeiro lugar pelo espírito maldoso dos que interrogavam; em segundo lugar pela magistral pedagogia de Jesus.


Ao lembrarmos esses e outros episódios, não podemos deixar de perceber a sabedoria divina de Jesus: ele nunca caía na casuística do "pode" ou "não pode". Procurava sempre despertar uma reflexão mais ampla e mais profunda sobre o que de fato estava em jogo. À primeira vista Jesus saía pela tangente, mas na realidade colocava o dedo na ferida para poder abrir novos horizontes, na medida em que desvelava os amorosos planos de Deus. Entre os exemplos acima evocados, os mais ilustrativos são os referentes à possibilidade de divórcio; o pagamento de tributos; a maneira de proceder diante dos pecadores.



No caso do divórcio tratava-se de resgatar o sentido dos planos divinos referentes à sexualidade e ao amor conjugal: apesar da fraqueza humana, homem e mulher deveriam lutar para se transformarem numa só carne. No caso dos tributos importava ressaltar que os deveres para com o Estado, uma instituição humana, não podem se sobrepor aos deveres para com Deus. Como diria São Pedro, em caso de conflitos devemos obedecer à vontade de Deus e não à vontade dos homens (Atos, 4). No caso da prostituta importava deixar claro que não existiriam prostitutas se não existissem homens depravados.


Nesta altura, com certeza, os leitores se perguntarão: mas o que têm essas considerações a ver com o drama vivido no Recife? Tudo a ver. É verdade que naquele tempo os fariseus eram grupos religiosos. Hoje grupos laicos resolveram assumir esse papel, inaceitável tanto num quanto no outro caso. Mas é fácil de se perceber o porquê das considerações feitas acima.


Em primeiro lugar, em dramas como esses, é preciso que se tenha presente um horizonte mais amplo, para contextualizar o caso particular. Ora, o contexto de tais estupros e de outras barbáries semelhantes, que infelizmente se multiplicam, se faz mais do que evidente: é o de uma sociedade que desvirtua o sentido mais profundo da sexualidade, essa energia tão divina, mas que pode conduzir às maiores aberrações. Jogar camisinhas do alto de um camarote, com certeza, não traduz qualquer preocupação nem com uma vida saudável, nem com saúde pública. Estas só poderão existir na medida em que a sociedade ofereça condições teóricas e práticas para que os valores éticos mais fundamentais encontrem ambiente propício para serem cultivados.


Em segundo lugar, quem se aproveita de uma tragédia para levantar, uma vez mais, a bandeira da descriminalização, e até do incentivo ao aborto, com certeza não está verdadeiramente preocupado com a vida das vítimas inocentes da maldade humana. Levantar essa bandeira significa abençoar anualmente uma guerra mundial, onde foram trucidadas ao menos 50 milhões de pessoas. A cada ano são presumivelmente abortados 50 milhões de seres humanos, num ritual macabro onde os mais fortes eliminam os mais fracos. E com certeza a solução não se encontra no incentivo à criação de armas consideradas tecnicamente mais adequadas para matar, seja em caso de guerra, seja no caso de abortamentos.


Em terceiro lugar, tragédias como a do Recife não podem servir de pretexto para alguns setores da sociedade manifestarem seu desprezo por uma das poucas instituições ainda confiáveis, no contexto de tantas outras que já perderam totalmente a confiabilidade. Denúncias recentes feitas por um corajoso parlamentar não deixam margem para dúvidas: uma imoralidade alimenta a outra. Pode-se até questionar a maneira como representantes de instituições, sejam eclesiásticas, sejam civis, se expressam. As expressões podem ser mais, ou então menos felizes. O que não se pode admitir é que alguns se aproveitem disso para trazer a público todas as suas rancorosas frustrações de caráter religioso e ético, se arvorando à condição de juízes até em termos de valores evangélicos.


Em quarto lugar, cabe bem aqui a referência a um livro de Jean Paul Sartre – Saint Genet – que com grande profundidade focaliza o caminho da degeneração humana, ressaltando o papel hipócrita da sociedade. Essa sempre alimentará monstros para proclamar a pretensa inocência dos que se consideram bons. E quando um monstro é eliminado a mesma sociedade, sedenta de sangue, se apressará em criar outros, porque em vez de abraçar as virtudes, abraça com ardor, e exalta os vícios.


Assim sendo, para além das acirradas polêmicas, esse é certamente um momento propício para todos os que sonham com uma sociedade menos violenta, conjugarem seus esforços numa mesma direção: a de criar condições reais para oferecer os pressupostos de uma verdadeira educação para o amor.


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